... - pensou na primeira palavra que vinha naquele momento, o mais importante, talvez.
... - pensou outra vez e nada se materializava na sua frente como normalmente acontecia. Sabia que sentia, mas não sabia ao certo o quê. Sabia que era bom, mas não sabia ao certo como. Era simples e completo.
Sem mais delongas, cansou de procurar classificar e se deixou levar.
Ana Luiza Moura
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Das promessas de ano novo
A sensação era esta: daquelas de abertura de porta da felicidade. O frio na barriga. Gelada da cabeça aos pés. Dormente na testa, os olhos ansiosamente pesados. Já tinha tudo combinado, horas antes do ano. Agora, só faltava seguir, atravessar e checar se tudo ocorreria como o previsto.
Até que pensou: como se dá para viver o nunca vivido?
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
dos entes.
O dia estava diferente
num azul, sumindo, decadente
com o sono chegando, finalmente
numa noite descendente.
O mundo estava diferente
num azul escuro latente
na negritude chegando, finalmente
sem nenhuma crescente.
A palavra estava diferente
na consciência inexistente
de alguém que pensa-mente
e mente por excelente.
(O choro crescente
num quarto cadente
de uma estrela semente
de um novo recente.)
Ana Luiza Moura
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Tráfego

Ela estava no canteiro que dividia as duas faixas opostas - duas divididas em quatro - de uma grande avenida. O tráfego era intenso, veloz e irrefreável. Ela permanecia ali, olhando o outro lado da rua.
Olhava fixamente, sem ombros baixos, para manter a vista focada (ou relaxada). E ela via.
O tráfego com seus veículos vermelhos multifacetados fluía numa velocidade maior do que seus movimentos. Não havia sinal, semáforo que pudesse para toda a eloquência das buzinas e dos pneus-cantando. Não havia faixa de pedestres e muito menos uma alma caridosa que pudesse frear e lhe dar passagem.
Quando ela via, cada qual já havia atravessado, já estava no tráfego. Cada molécula sua se misturava ao tráfego externo, o que fazia com que, por dentro, ela se mexesse toda. E embora ela continuasse a olhar, ela permanecia numa velocidade quase imperceptível a olho nu de tão lenta.
Ansiava atravessar ou chegar do outro lado? O medo de não ser atingida a dominava:
- Atravessar e não morrer pelo caminho.
Ana Luiza Moura
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Da bagunça interior
Ana Luiza Moura
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Places
É só nessas horas, com tudo pronto. E o cansaço aflora.
Um pequeno grupo de colegas se encontrava no térreo do prédio. Meninos e meninas. Cada um no seu lugar. Sentados em algumas cadeiras; outros em pé. Cada um no seu devido lugar. Conversavam sobre "talvez, quem sabe" "ouviu?" e entre tantos outros comentários. Na frente, uma das meninas roubava a atenção, mostrando todos os seus dotes artísticos, a la stand-up commedy. Atrás das cadeiras, outra menina escutava assim como todos os outros colegas com seus olhos vivos e ávidos. Sentada no colo de um dos rapazes, outra, talvez, a de olhar mais sereno, quem sabe. Cada um no seu suposto lugar. Na surdina, porém, podia-se ouvir o cochicho, o murmúrio entre cada ínfima parte de cada ser. Transformando-se a que fazia o show queria na verdade ser chama e tomar o lugar daquela que sentava no colo do rapaz. Queria parar de charmar a atenção e realizar o que desejava. Talvez até descansar. A do fundo ansiava exasperadamente ganhar alguma chance para poder fazer o seu show e deixar sua marca no sorriso. Se tornar visível aos olhos do mundo. No entanto, talvez, a do colo estivesse usufruindo do seu mais recôndito desejo de ser invejada e honrosamente amada.
E continuavam todos lá. Nos seus servidos lugares.
Ana Luiza Moura
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